Atualização do piso mínimo do frete impacta diretamente transportadoras, embarcadores e toda a cadeia de suprimentos, em um cenário já desafiador para o setor
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou um novo reajuste na tabela do piso mínimo de frete rodoviário, medida que já começa a reverberar em toda a cadeia logística. A atualização, motivada principalmente pela variação no preço do diesel, reforça a dinâmica de custos do transporte rodoviário — modal responsável por mais de 60% da movimentação de cargas no país.
Na prática, o reajuste eleva o valor mínimo que deve ser pago aos transportadores, o que impacta diretamente embarcadores e operadores logísticos. Para as empresas, isso significa uma pressão adicional sobre margens já apertadas, especialmente em setores com grande dependência de distribuição rodoviária, como varejo, alimentos e indústria de base.
A política de pisos mínimos, criada após a greve dos caminhoneiros de 2018, segue como um instrumento de proteção ao transportador autônomo, garantindo previsibilidade mínima de receita frente à volatilidade do combustível. Por outro lado, o mercado convive com o desafio de equilibrar essa regulação com a competitividade e eficiência das operações logísticas.
Com mais esse reajuste, cresce a necessidade de planejamento estratégico nas operações. Empresas tendem a intensificar a busca por otimização de rotas, aumento de eficiência operacional e até revisão de contratos logísticos para absorver os novos custos. A gestão inteligente de frete passa a ser ainda mais decisiva.
O movimento também reacende discussões sobre a dependência do transporte rodoviário no Brasil e a urgência de diversificação da matriz logística. Enquanto isso não avança, cada ajuste no diesel ou na tabela da ANTT continuará tendo efeito direto — e imediato — no bolso das empresas e na competitividade do país.